Sociedade paranóica
A sociedade portuguesa está cada vez mais paranóica. Dá importância a coisas menores e desvaloriza aspectos importantes. Na leitura do DN de hoje, aparecem dois desses vectores. Por uma lado a importância que é dada às “figuras públicas”, e por outro lado, o drama das falsas acusações de assédio infantil.
Há um enorme componente provinciano na importância que se dá neste país a algumas pessoas que aparecem na TV e em revistas, as chamas “figuras públicas”. Há algumas que se aceitam, mas outras, que tristeza de espírito, que crime darem projecção a semelhantes seres humanos. Meu Deus, como somos pequeninos (e muito idiotas, também…).
Neste artigo do DN veja-se como se fabricam famosos:
“Um dia cheguei ao Algarve, não tinha ninguém para fotografar, estava a trabalhar para a Caras, fui ter com um rapaz e uma rapariga que estavam a apanhar banhos de sol, perguntei-lhes o nome. Tinham um nome de família, a Caras gosta de nomes de família, eles eram giros e novos. Fizeram uma página. A revista começou a segui-los, esteve no casamento e na lua-de-mel. Ganharam notoriedade e hoje ela é disputada a peso de ouro como relações públicas de discotecas.”
O que eles ganham com isto?
Borlas. À cabeça, férias pagas, um lugar melhor no teatro, um bilhete para a ópera, jantares, relógios, carros emprestados, vestidos de criadores à medida. Depois, quando trabalham, podem ver os seus cachets serem aumentados. “O romance da Merche com o Cristiano Ronaldo, por exemplo, catapultou a carreira de modelo e apresentadora de televisão dela, passou a ser uma presença mais grata em desfiles e discotecas”, afirma Abel Dias.
Leia o artigo.
O abuso sexual é uma coisa repugnante, mais ainda quando é exercido sobre crianças, mas estamos numa fase em que se suspeita dos actos mais inocentes e qualquer dia ninguém escapa à praga da suspeição. Como alguém dizia, já nem pode o Pai Natal pegar nas criaças ao colo…
No artigo do DN é abordado o tema das falsas acusações de assédio. Quando alguém é falsamente acusado cria-se, também, algo repugnante que causa problemas ao relacionamente, muitas vezes no seio da família.
No que diz respeito à paranóia da sociedade portuguesa, não sou o único a pensar assim, veja-se este artigo da Helena Sacadura Cabra.