Bloco de Notas Digital


E assim vamos andando em Portugal

Publicado em políticos, portugal, portugueses por Zepovinho no / na 15/03/2008

Hoje, dia 15 de Março de 2008, podemos assistir ao que há de mais irónico. Um primeiro ministro reúne 7000 apoiantes para se vangloriar do trabalho de três anos de governo. Já antes o porta voz do partido que apoia o governo afirmara não perder tempo com o que fizeram de errado pois o que fizeram bem era muito mais importante.Enfim cada um tapa o sol com a peneira que quer…

Depois de ler a notícia referente ao comício do Porto não resisto a transcrever dois comentários feitos no site do Público, pois acho que revelam o estado de espírito que reina em Portugal. E assim vamos andando.

15.03.2008 – 19h48 – Manuel Abreu, Porto
Meus amigos, eu estive lá, no pavilhão do Académico. E o que vos posso dizer é que, para os dias que correm, o comício foi apoteótico! Bancadas e rinque estavam plenas de gente, nem uma agulha mais lá cabia. A rua de Costa Cabral, do Académico ao Marquês, era outro mar de gente, que assistiu ao comício através de ecrãs gigantes. Arruaceiros ou corja negra, como quiserem (não confundir com professores), seriam duas dúzias de matronas enquilhadas e uns paus de vassoura. Voltando ao que interessa – ao comício – tenho-vos a dizer que foi uma festa da democracia e da liberdade verdadeiramente empolgante, com militantes jovens (nada das múmias do PCP), enérgicos, solidários, ambiciosos e optimistas no futuro de Portugal. Maria Elisa Ferreira surpreendeu os assistentes com um discurso bem construído e cheio de garra – porventura virá a ser a candidata do PS à Câmara do Porto; Jorge Coelho, que é sportinguista, é o Eusébio dos comícios: verdadeiramente empolgante, mas com substância; Por fim, José Sócrates fez o balanço destes 3 anos de governo, de modo notável, convicto e vibrante. Temos PS, temos governo, para bem de Portugal.

15.03.2008 – 21h35 – ravachol, brazzaville
3 anos a atacar os fracos, a sacar do bolso dos que têm menos capacidade para se defender, 3 anos de ouvir e ver um primeiro-ministro estúpido, arrogante, ignorante e com tiques de queque armado em grande estrela mediática. Já chega, zézito. 3 anos foi demais… é sempre demais. Mas a seguir vêm mais 4 anos de outro qualquer que faz exactamente o mesmo, com menos pudor, com mais impiedade (pragmatismo, dirá), a deixar-nos a todos cada vez mais lixados. e eu o que faço? mando bitaites na internet, voto de 4 em 4 anos e cá vou andando, à espera sempre do mesmo. a única forma de mudar a vida é sair para a rua, juntos e provocar a revolta, a greve selvagem insurreccional, uma revolução! vale mais um acto de dissidência que mil palavras de revolta…

A saga dos professores

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 10/03/2008

A actual equipa do Ministério da Educação ainda não entendeu os professores. Temos de explicar melhor os nossos pontos de vista, talvez com muita calma e insistência venham a entender.

A razão do descontentamento dos professores não é só de agora, não se refere só à avaliação. Começou há mais tempo quando a ministra veio para a opinião pública dizer que se havia problemas de aproveitamento isso se devia aos professores. Fez algumas acusações torpes e pouco dignas de um membro de um governo eleito em democracia, ao afirmar que os professores criavam turmas “especiais” com os melhores alunos, onde incluiam os seus próprios filhos e que escolhiam as melhores turmas para leccionar. Ora, isto não corresponde de todo à verdade. Não podemos assumir que uma ou outra situação, ou tentativa de assim ser, se pode generalizar a todas as escolas e a todos os professores. A irritação começou…

Mais tarde vieram as acusações de que os professores faltavam muito. Falou-se em 6 milhões de horas de faltas. Mais uma vez pegou-se num grão de areia e falou-se em nome da praia. Numa praia não há dois grãos de areia iguais. A irritação continuou…

Depois vieram as aulas de substituição. Nova guerra com os professores, novas acusações. Muitos professores até concordavam com as aulas de substituição. Segundo o M.E. havia escolas a levá-las à prática. A cultura centralista do M.E. e a pressa fizeram com que o conceito fosse “enfiado pela goela abaixo” às escolas e professores. Houve contestação ao modelo, mas de nada serviu porque a ministra manda e os professores obedecem. A irritação aumentou…

Houve a greve aos exames (de algum modo falhada), houve mais acusações de parte a parte e saiu da boca de S. Exª mais uma pedra preciosa “perdi os professores, mas ganhei os pais”. A irritação aumentou…

Vieram as negociações com os sindicatos para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Por muitas reuniões que houvesse, o M.E. limitava-se a dizer o queria e os sindicatos contrapunham, mas no final o ministério decidia manter o que disse e está dito. Em vez de negociações e cedências de parte a parte, havia uma parte que dizia para que a outra parte ouvisse. A irritação foi aumentando…

Depois veio a divisão da carreira em dois escalões. Algo que não é tradição na nossa cultura organizacional da escola, nem da natureza da profissão. Lembra mais o “antigamente”. Houve descontentamento e o concurso, ao considerar apenas os últimos sete anos e ao valorizar os cargos exercidos acentuou o descontentamento, em detrimento de muitos outros factores como a real experiência acumulada ao longo de muitos anos de trabalho e as habilitações de cada um. A irritação acumulou-se…

De seguida veio uma enxorrada de legislação, a referente à gestão das escolas (com a gracinha de excluir da presidência do Conselho Geral os professores); a da avaliação do desempenho, com toda a carga de subjectividade, de burocracia e de injustiça, para mais a meio do ano lectivo e empurrando para a “autonomia” da escola uma quantidade de coisas que tanto podem ser inócuas como muito prejudiciais e para terminar, a legislação referente ao Estatuto do Aluno. E a irritação transbordou. E os professores disseram BASTA!

Pelo meio temos as (in)verdades do M.E. Que apenas vieram reforçar a irritação dos professores.
A avaliação do desempenho é essencial e necessária para melhorar o aproveitamento dos alunos. FALSO. O desempenho dos alunos depende do professor, mas depende também de muito outros factores que não são controlados, directa ou indirectamente, pelos docentes.
Os factores de ordem familiar. Quantas famílias desestruturadas existem na sociedade portuguesa, com défice de instrução e com a enorme falta de valores que temos hoje em dia? Quantos pais não dedicam tempo aos seus filhos? Quantos pais se demitem da educação e “compram” os seus filhos? Quantos pais empurram para a escola a missão de educar e criar barreiras e limites? Quantos pais são incapazes de dizer Não aos seus filhos? Aliás se a avaliação dos professores está tão relacionada com o desempenho dos professores como explicar que na Finlândia, pais com excelentes índices de aproveitamento, não há avaliação de desempenho individual, mas apenas avaliação de escolas. Sendo que depois dentro das escolas se discute o que está mal.
Há também os factores de ordem social, A nossa sociedade é avessa ao esforço e ao respeito. Quantas pessoas tentam fugir aos impostos? Não reina na nossa sociedade o sentimento do espertalhão que passa por cima dos outros, porque é mais esperto? Quem respeita a ordem de chegada e o estacionamento correcto na via pública? Não basta estacionar o carro na estrada e ligar os quatro piscas? E se alguém nos chama a atenção ou reclama não o mandamos logo “vai pra p….”? Não tentamos sempre arranjar um amigo ou uma cunha? Não queremos que o nosso clube ganhe sempre e se isso não acontece não é sempre culpa do árbitro, esse “filho da p….”? Não chegamos sempre atrasados e não fazemos sempre tudo à última da hora?
A propósito leia-se este artigo do sociólogo José Madureira Pinto. Este texto foi primeiro visto a partir daqui.

A matança dos inocentes

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 04/03/2008

A educação em Portugal (prós e contras)

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 04/03/2008

Não gostei mesmo nada do programa Prós e Contras de ontem à noite (03/03/2008). A educação interessa a todos, mas será que todos podemos analisar os prós e contras da educação? Gosto de futebol e de uma equipa em particular, mas isso habilita-me a dar opinião sobre as técnicas de treino e de organização do meu clube? Numa perspectiva de curioso sim, mas apenas isso.

A apresentadora do programa trouxe-nos um conjunto de “pessoas sabias, famosas e com muito charme” para comentarem a educação. Até aqui ainda vai tudo mais ou menos… O verdadeiro problema surge quando a moderadora tenta fazer com que os seus convidados lhe dêem as respostas que ela quer ouvir. Várias vezes forçou a pergunta e quiz conduzir a resposta, com alguns convidados conseguiu com outros não, mas lá que tentou…

Ainda, diurante, o programa assistimos à posse de uma nova porta-voz do M.E., ao anunciar em primeira mão as notícias “fresquinhas”, enfim…

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