Acreditar nos políticos?
12 Maio, 2008
Como querem que acreditemos nos políticos? Como querem que os jovens se interessem pela política?
Segundo o jornal Público de hoje veja-se o comportamento dos nossos queridos autarcas:
“12.05.2008
Dos 308 presidentes de câmara, 90 são sócios de pelo menos uma empresa, sem contar com aqueles que detêm acções em sociedades cotadas em bolsa. Desses 29 por cento dos autarcas do país, que estão espalhados por todos os distritos, há 50 que estão ligados apenas a uma firma, sendo 195 o número total de empresas que têm autarcas como sócios.
Os maiores, não só pelo número de empresas a que estão ligados, mas também pela sua importância (o que envolve alguma subjectividade), e sem contar com os de Famalicão e Barcelos (ver outro texto), são o independente Valentim Loureiro (Gondomar), os sociais-democratas Mário Oliveira (Oliveira do Bairro), Manuel Batista (Póvoa do Lanhoso), Alexandre Vaz (Sátão), José Mata Cáceres (Portalegre) e Moita Flores (Santarém) e os socialistas José Santos (Freixo de Espada à Cintra), Fancisco Ferreira (Vizela) e Mário Ferreira (Tarouca).
Valentim Loureiro está de longe na dianteira, com participações em pelo menos 22 empresas de vários sectores, com realce para a fiação e conservas. A sua declaração faz porém pensar que a sua actividade empresarial atravessa um período negro, já que em 2006 teve apenas rendimentos de trabalho dependente (120.070 euros, incluindo o vencimento de autarca), não apontando quaisquer outros rendimentos a não ser 8363 euros de pensões.
Segue-se Mário Oliveira, que entre outros sectores tem uma presença muito forte na indústria cerâmica através do grupo Recer.
Aparentemente as empresas também não lhe propiciam grandes ganhos, sendo apenas de 4238 euros os seus rendimentos de capitais, sem que possua quaisquer outros além dos do trabalho dependente (74.705 euros). O mesmo acontece com o autarca de Freixo de Espada à Cinta, que possui cerca de metade do capital de quatro empresas de transportes de passageiros – incluindo a Rodonorte, com relevo no sector -, mas apenas declarou rendimentos de trabalho (37.945 euros) em 2005.
Entre os restantes destacam-se Mata Cáceres e Moita Flores. O primeiro porque as cinco empresas a que está ligado pertencem ao sector agro-pecuário, mas também porque esta actividade lhe proporcionou um rendimento apreciável: 99.609 euros em 2006.
No caso do autarca de Santarém, as seis empresas em que participa trabalham, entre outras áreas, em vídeo, electrónica e robótica e agricultura, mas também não dão origem a proventos declarados em sede de IRS.
Os autarcas de Vizela, Tarouca, Sátão e Póvoa de Lanhoso, que também manifestam uma significativa actividade empresarial, dividem-se pelos sectores têxteis e águas minerais, agro-alimentar e confecções. Em comum têm o facto de não declarar em sede de IRS quaisquer rendimentos que não sejam de trabalho dependente e, num caso, prediais. J.A.C.
Valentim Loureiro, eleito como independente, não retirou rendimentos das empresas a que está ligado”