A questão das avaliações
Uma vez mais o Sr. Director do DN prima de uma forma enviesada de crítica aos funcionários públicos. Assume que estes não querem ser avaliados, ponto final. Mas o que sabe ele? Será que os funcionários não querem mesmo ser avalaidos? Ou contestam a avaliação que este governo lhes quer impôr?
No DN de hoje lê-se:
“Tribunais. A nova avaliação que o Governo quer aplicar a toda a administração pública está a gerar polémica nos tribunais. Os profissionais temem que o sistema se baseie apenas na quantidade de processos despachados e lembram que isso não está nas mãos dos funcionários mas na dos juízes.
O Governo quer avaliar os funcionários judiciais consoante o números de processos que despacham, cobranças que fazem e actas que concluem. Isto, no âmbito do sistema de avaliação do desempenho que o Executivo quer aplicar a todos os trabalhadores da administração pública. E tal como os médicos e professores, também os funcionários judiciais não aceitam este novo modelo que dizem “estar cheio de falhas”.
Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ – a estrutura sindical que se encontra neste momento a negociar o estatuto com a Direcção-Geral da Administração da Justiça – considera que o sistema de avaliação “está cheio de problemas”.
Isto porque o novo sistema estabelece objectivos quantitativos e avalia a sua concretização. “Mas isso pode ser impossível de cumprir porque dependemos de vários organismos e da lei”, refere o líder sindical, alertando: “Basta um juiz dar menos despachos que os estabelecidos nos objectivos para que o funcionário tenha avaliação negativa”.”
É claro que os funcionários querem ser avaliados, mas contestam, isso sim, a avaliação que o governo quer impôr.
Este governo quer quantificar o que não é quantificável. Tudo para justificar, não a qualidade do serviço, mas a redução da despesa salarial. Aliás, para que serve a avaliação? Para quantificar o trabalho? A avaliação deve servir como forma de avaliar a qualidade (eventualmente, nalgus aspectos, a quantidade) e deve ser formativa. Deve apontar os aspectos positivos e negativos do trabalhador para que este possa melhorar os aspectos negativos e reforçar os aspectos positivos. Só assim todos beneficiarão com a avaliação. O que o governo quer só vai criar climas crispados nos locais de trabalho e benefício nulo.
Posto isto, é completamente revoltante ler o Editorial do DN. O seu autor (o director do jornal?) é tendencioso e pouco honesto intelectualmente ao fazer as afirmações levianas que faz. Aliás basta atentar no título do editorial “Quem tem medo das avaliações”. Não são os funcionários públicos. Se calhar é o governo. Portanto, haja mais coerência e decência na forma como se refere aos funcionários públicos.
Fontes de informação:
Editoral do DN
Notícia sobre avalição dos funcionários da Justiça
em 05/03/2009 em 18:32
[...] Fonte da informação:Educação do meu umbigoO meu blog [...]