Salgueiro Maia
Homenagem a Salgueiro Maia, aquele que tudo fez e nada quis.
Para não esquecer o 25 de Abril
Hoje, infelizmente, sentimos saudade da alegria e da utopia que foram os primeiros dias do 25 de Abril de 1974. Muitas das promessas, e ilusões, desses dias ainda estão por cumprir. Com o actual governo do PS estamos a regredir em vários aspectos sociais e democráticos. A corrupção e os interesses do capital estão de volta. Há cada vez mais desemprego e descontentamento social, mas para alguns há dinheiro com fartura. Alguns elementos da chamada “classe política” estão bem instalados no aparelho do Estado ou nas grandes empresas. Há uma democracia, quanto mais não seja do ponto de vista formal. Mas há cada vez mais medo dos patrões, do desemprego, de desagradar aos chefes, de perder o emprego. Vivemos muita da insegurança que se vivia em 1974. Não há guerra colonial, é certo. Não há polícia política, não há censura. Mas há uma pressão para não levantar a cabeça, há processos crime aos jornalistas que ousam escrever coisas que o Sr. Engenheiro não gosta. Há uma constante pressão sobre os funcionários públicos, uma desvalorização das suas funções. A escola pública está subjugada pela política da estatística e da burocracia. E, finalmente, a classe média está a perder a capacidade de respirar, pressionada que está com a crise económica. Afinal de contas é esta mesma classe média que tudo paga neste país e pouco recebe em troca.
Para homenagear o 25 de Abril veja-se este filme em que a Amália Rodrigues canta a “Grândola Vila Morena”.

Vivemos na crise
Por todo o lado se ouve falar de crise. Não sabemos as consequências da crise. Estamos todos à espera de ver para onde vamos. É inevitável uma certa visão pessimista da nossa situação. Será a mais verdadeira? Provavelmente ninguém saberá responder, mas também é verdade que não devemos viver no mundo da ilusão. Acho que devemos estar preparados para tudo.
Neste sentido acho importante a visão deste senhor senhor. Niall Ferguson afirma que “”Estamos perto do desastre da década de 1930″. Pelo sim pelo não convém ler o que ele diz e estar atento aos sinais que vão surgindo aqui e ali.
Sporting sempre!
Amanhã vai haver AG do Sporting. Num momento difícil para o clube espero que a AG corra num ambiente de união e esclarecimento para o bem do SCP.
Não estou ainda totalmente esclarecido sobre o que está em discussão. Espeero que o dia de amanhã seja propício para o cabal esclarecimento de todos, para que as decisões sejam claras e esclarecidas.
O hino da oposição
Música dos Xutos e Pontapés está a tornar-se um hino de oposição à prática governativa do PS.
Veja aqui mais aspectos, no jornal PUBLICO:
A letra do tema Sem eira nem beira
Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar…
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar…
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
Opiniões – Mário Crespo
2009 2009-04-13 “Estava um dia frio e límpido de Abril e os relógios batiam treze badaladas” e eu dei comigo a pensar: ‘Se calhar o melhor é passar um pano encharcado em creolina sobre isto tudo e deixarmo-nos de coisas porque a melhor política é o trabalho e qualquer dia… toca-me a mim’. Do Ministério do Amor já tinham vindo sérias admoestações. Recordam-se do zelador da justiça que, questionado por um jornalista mais impertinente sobre se o “Grande Irmão” poderia ser constituído arguido, respondeu: “Olhe, até você pode ser constituído arguido”? E não é que foi mesmo! Só na última semana foram uns três! Tudo isto para que não haja dúvidas que na “Oceânia”, como foi dito, “não é qualquer director de Jornal com as suas campanhas” ou “uma qualquer televisão quem governa”. Quem governa na Oceânia é “quem o povo escolhe”. Por isso, estes três (e brevemente serão mais) obviamente foram entregues ao Ministério do Amor (um deles já foi ouvido) e agora vão de certeza parar à Sala 101 onde “confrontarão os seus piores receios” até aprenderem a amar sem reservas quem tanto bem lhes faz e a quem tanto devem. Tem que haver uma punição exemplar por esta ingratidão dos que não reconhecem o imenso trabalho que tem sido feito pelo Ministério da Abundância na “distribuição de rações”. Como é que os amigos não os denunciaram (como foi feito, e bem na DREN)! Então o Ministério da Verdade não tinha já decidido dar mais um ano de completo bico-calado sobre tudo! E eles (e elas) a pisar cada vez mais o risco contando coisas! Falam de pressões sobre o próprio Ministério da Verdade! Subornos no Ministério da Abundância e, sacrilégio ultrajante, sugerem que há corrupção a alto nível! Qual nível? Ao nível do topo do “Partido Interno”! Como é que se pode dizer uma coisa destas e esperar fazê-lo com impunidade, aqui na Oceânia onde a Abundância é inigualável, e a paz e a justiça nas ruas é garantida por dez mil novos disparadores Glock-19 de 9mm! O Ministério da Verdade já exortou à serenidade com um brilhante anúncio na Rádio e na TV informando que as manifestações de rua são “contra” os cidadãos. E eles não quiseram acreditar! E mesmo no Período do Grande Silêncio decretado pelo Ministério da Verdade divulgaram coisas como se quem mandasse na Oceânia fosse um “qualquer Director de Jornal com as suas campanhas” ou “uma qualquer televisão”, quando todos sabemos que quem manda é “quem o povo escolhe”. Por isso vamos passar a esfregona bem encharcada em creolina sobre tudo isto e, com o Grande Silêncio garantido pelo Ministério da Verdade, com os desviantes na “Sala 101″ a aprenderem a estar calados quando os mandam, o povo sereno votará e escolherá quem quer que continue a mandar na Oceânia. As listas para o “Partido Interno” já estão quase prontas. Depois vêm as do “Partido Externo”. Nessas, os descontentes ao verem como ficam os jornalistas que o Ministério da Verdade vai levar à Sala 101, aceitarão de vez o Grande Silêncio e terá “chegado o grande momento. Salvar-nos-emos, seremos perfeitos.” PS: As frases entre aspas, mais inspiradas, são do 1984 de George Orwell. As menos inspiradas são de 2009. Quanto ao mais, como Marx diz no Capital, “muda-lhes os nomes e esta é a tua história”.
Mário Crespo – Opiniões – Jornal de Notícias
É acrise? Post 3
Dois retratos do Portugal de hoje.
Tenho muita pena que passados todos estes anos sobre o 25 de Abril de 1974 em que tantas ilusões nos foram incutidas estejamos a viver e a discutir estas questões.