O exemplo da Suécia

6 Setembro, 2009

Esquerda, direita, modelo social e o exemplo da Suécia
José Manuel Fernandes – 20090906

A evolução recente do chamado “modelo sueco” oferece boas pistas para analisar onde se situam as propostas políticas e eleitorais dos partidos portugueses. Por onde passam as grandes linhas divisórias das propostas eleitorais em debate? As grandes, pelo menos no que respeita ao modelo económico e social, estão entre o PS e os partidos à sua direita, passam pelo interior do PS ou estão entre o PS e os partidos à sua esquerda?
Para responder a esta questão vale a pena olhar para a Suécia e para o chamado “modelo sueco”, para percebermos melhor o que está em causa quando olhamos para os diferentes programas políticos. Para isso, vamos socorrer-nos de uma recente intervenção, numa conferência em Estocolmo, de um economista cujo nome pouco dirá aos portugueses: Assar Lindbeck. Professor na Universidade de Estocolmo, foi ele o escolhido para liderar a comissão que, em 1992-1993, propôs ao Governo da Suécia um conjunto de medidas que permitiram ao país superar a grave crise que então atravessava. Essa comissão ficou mesmo conhecida como “comissão Lindbeck” e as medidas que recomendou foram radicais e heterodoxas, tendo ido da nacionalização temporária de alguns bancos até à introdução de concorrência no interior do sistema de protecção social do país. Uma das características desse período de reformas que fizeram o país superar a crise foi a forma como as principais forças políticas suecas – liberais e sociais-democratas – foram capazes de chegar, no Parlamento, a plataformas de entendimento que permitiram a continuidade das políticas então decididas.

Lindbeck, nessa sua intervenção, dividiu a história moderna da Suécia e do “modelo sueco” em três períodos: entre 1870 e 1960, vigorou um período liberal (apesar de décadas de governos liderados por sociais-democratas), em que o Estado assegurou a educação e a saúde para todos, dotou o país de infra-estruturas básicas e garantiu legislação estável que permitia às empresas crescerem e competirem. Em 1960, a Suécia, que um século antes era uma sociedade rural, era o terceiro país com maior riqueza média por habitante.
Entre 1960 e 1990, os governos suecos mantiveram o modelo económico e até liberalizaram mais os mercados, para responderem à globalização, mas ao mesmo tempo criaram um “Estado social” tão generoso que o peso da despesa pública duplicou, chegando aos 65 por cento do PIB, com as taxas dos impostos a subirem até aos 70 por cento. No final deste período, o PIB per capita na Suécia não deixou de crescer, mas o país perdeu terreno, passando de 3.º para 17.º lugar entre todas as nações do mundo.
Com a entrada na União Europeia, em 1990, a Suécia entrou num terceiro período económico, tendo logo em 1991 o governo social-democrata diminuído as taxas máximas dos impostos entre 10 e 20 por cento. Ao mesmo tempo, nos diferentes sectores abrangidos pelo “Estado social” foram introduzidas reformas que corresponderam à sua desregulação e privatização, sem que o Estado tivesse deixado de assegurar o financiamento de todos os serviços. Porém, em vez do monopólio público no fornecimento de assistência aos idosos, no sistema educativo ou na rede de jardins-de-infância, passou a ser possível a concorrência entre instituições públicas e entre estas e instituições privadas. As famílias passaram a ter liberdade de escolha. Na área dos impostos, um governo social-democrata acabou com o imposto sobre as heranças e um liberal com o imposto sobre a riqueza. Os dois grandes partidos continuam de acordo que o “Estado social” deve continuar a ser sustentado pelo Estado através do sistema fiscal, mas ambos já convergem na ideia de que deve haver um maior recurso a mecanismos de capitalização (utilizando os mercados de capitais) no financiamento da segurança social.

O resultado destas reformas, muitas delas propostas pela “comissão Lindbeck”, foi o retomar de um crescimento económico mais vigoroso (a Suécia voltou a subir alguns degraus na tabela dos países com mais riqueza por habitante), ao mesmo tempo que o peso do Estado na economia recuava para 53 por cento.
Claro que o centro-direita e o centro-esquerda não estão de acordo em todos os detalhes destas reformas, nem no seu ritmo, mas podemos dizer que o “consenso sueco” evoluiu na última década e meia da noção de que deve ser o Estado a fornecer todos os serviços associados ao seu “modelo social” – seguindo o princípio de que um serviço público tem de ser prestado por uma entidade pública – para a de o Estado dever garantir o acesso universal dos cidadãos aos serviços do “Estado social”, mas poder haver concorrência entre o sector público, o sector privado e o terceiro sector no fornecimento final desses serviços. O Estado deixou de ser o “fornecedor universal”, para ser a “garantia da universalidade” do fornecimento dos serviços sociais. Ao mesmo tempo, o centro-direita e o centro-esquerda continuam a defender a superioridade da economia de mercado, crescentemente liberalizado e desregulado e onde a competição entre as empresas apenas depende da sua capacidade de inovar e serem eficientes, sem interferências do poder político.
Amanhã veremos como as propostas dos principais partidos políticos se cruzam com as lições do “modelo sueco”.

4 Agosto, 2009

Os lucros semestrais dos cinco grandes bancos do mercado português, BES, BCP, BPI, CGD e Santander Totta, subiram 24 por cento, em termos homólogos, para 1.067 milhões de euros, ou seja, quase seis milhões de euros por dia.

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Como se pode constatar nesta notícia a crise é tremenda e afecta toda a gente? Bem, toda a gente não, apenas os parvalhões que trabalham por conta de outrem.

Este país é uma vergonha! A crise é só para alguns…

Aquilo que muitas vezes tem vindo a ser criticado ao vermos políticos a sair do governo para as grandes empresas, e vice-versa, foi agora assumido por uma entidade empresarial europeia. Todos sabemos, mas enfim, o governo socialista faz de conta que nada existe e atira areia para os nossos olhos.

“… a maior parte dos fundos europeus está reservada às grandes empresas por uma questão de tráfico de influências.” Quem afirma isto é o presidente da Confederação Europeia das Associações de Pequenas e Médias Empresas.

Ler a notícia completa no Publico online.

É acrise? Post 3

15 Abril, 2009

Dois retratos do Portugal de hoje.

Tenho muita pena que passados todos estes anos sobre o 25 de Abril de 1974 em que tantas ilusões nos foram incutidas estejamos a viver e a discutir estas questões.

- A corrupção

- As obras públicas

É a crise? Post 2

15 Abril, 2009

Apesar da crise há alguns cromos deste país que têm recebido ordenados bem chorudos. São pessoas muito bem colocadas que aparecem muitas vezes nas TVs a comentar a situação do país e do mundo. Dão palpites, dizem que temos que fazer sacrifícios. Alguns dizem até que os vencimentos, em Portugal, têm de baixar para combater a crise. E eles? Que sacrifícios fazem?

Pois veja-se este vídeo para obter resposta a esta questão:

http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Jornal+da+Noite/2009/4/edicao-de-13-04-2009-1-parte.htm

http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=6&t=Economia-portuguesa-pode-recuar-3-em-2009—Silva-Lopes.rtp&article=208655

Lucros vs Desemprego

5 Março, 2009

No nosso país há coisas muito curiosas. Há empresas, como a Galp, que têm lucros fabulosos, mesmo neste tempo de crise. Mas mesmo assim ainda há quem ache que a forma de sair da crise é sacrificar os trabalhadores, aqueles que vivem do seu salário, mesmo que não tenham nenhuma responsabilidade na crise que atravessamos.

Vejamos esta notícia:
O lucro da Galp Energia no exercício de 2008 cresceu 14 por cento para 478 milhões de euros, anunciou ontem a petrolífera. Para este resultado contribuiu em muito o resultado do último trimestre de 2008, período em que a companhia registou um aumento de quase 200 por cento dos seus lucros, que foi de 125 milhões neste trimestre (mais 198,8 por cento).
Dois factores contribuíram fortemente para este comportamento: o chamado time lag, que é a diferença de tempo de acerto dos preços da petrolífera pelos valores internacionais e que permitiu à empresa encaixar 105 milhões de euros. O aumento das margens de refinação em 25 por cento, deu também mais 32 milhões de euros positivos à Galp.“ 
 

Para mim ainda é mais incrível quenado as pessoas que vêm propor reduções de salários para os trabalhadores são quadros ou ex-quadros de grandes empresas ou instituições públicas como o Banco de Portugal. Pessoas que receberam, ou recebem, bons vencimentos (ou reformas). Assim é fácil pedir sacrifícios aos outros…

Para cúmulo ainda há a notícia de que os eurodeputados vão passar a ganhar o dobro. Como se vê há uma enorme crise e é necessário que os políticos sejam os primeiros a dar o exemplo. Qual exemplo? Aumentar os seus vencimentos para o dobro, claro!

Fontes de informação:
Galp
Declarações de Silva Lopes
Vencimento dos eurodeputados

Não entendem as razões da actual crise financeira?

Eu também não! Mas aqui ajudam-nos a entender.

É preciso regressar a 1999 para encontrar um ano em que os funcionários públicos tenham obtido um aumento salarial de tabela superior à taxa de inflação. Na altura, o Governo liderado por António Guterres ofereceu um acréscimo de rendimento de três por cento e a taxa de inflação cifrou-se no final do ano em 2,3 por cento.
Desde esse momento até agora, apenas más notícias para os trabalhadores do Estado. Ou a crise orçamental acentuava-se e o Executivo pura e simplesmente congelava o valor dos salários ou então os aumentos salariais eram baseados numa previsão de inflação errada e que depois, na prática, levava a mais uma perda do poder de compra.
Mas em 2009, tudo aponta para que, passados 10 anos, volte a registar-se um aumento de salários superior à inflação. A actualização dos vencimentos já está decidida. Na negociação com os sindicatos, o Governo apresentou logo de início aos sindicatos uma proposta de 2,9 por cento (baseada numa previsão para a inflação de 2,5 por cento) e ao fim de várias reuniões não efectuou qualquer mudança.

PUBLICO, 20/12/2008

“Um país em que o Estado é obrigado a indemnizar accionistas que contribuíram para o descalabro de um banco é um país que promove a falcatrua como modo de vida.”

Paulo Ferreira, “Jornal de Notícias”, 5 de Novembro de 2008