Bloco de Notas Digital


A saga dos professores

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 10/03/2008

A actual equipa do Ministério da Educação ainda não entendeu os professores. Temos de explicar melhor os nossos pontos de vista, talvez com muita calma e insistência venham a entender.

A razão do descontentamento dos professores não é só de agora, não se refere só à avaliação. Começou há mais tempo quando a ministra veio para a opinião pública dizer que se havia problemas de aproveitamento isso se devia aos professores. Fez algumas acusações torpes e pouco dignas de um membro de um governo eleito em democracia, ao afirmar que os professores criavam turmas “especiais” com os melhores alunos, onde incluiam os seus próprios filhos e que escolhiam as melhores turmas para leccionar. Ora, isto não corresponde de todo à verdade. Não podemos assumir que uma ou outra situação, ou tentativa de assim ser, se pode generalizar a todas as escolas e a todos os professores. A irritação começou…

Mais tarde vieram as acusações de que os professores faltavam muito. Falou-se em 6 milhões de horas de faltas. Mais uma vez pegou-se num grão de areia e falou-se em nome da praia. Numa praia não há dois grãos de areia iguais. A irritação continuou…

Depois vieram as aulas de substituição. Nova guerra com os professores, novas acusações. Muitos professores até concordavam com as aulas de substituição. Segundo o M.E. havia escolas a levá-las à prática. A cultura centralista do M.E. e a pressa fizeram com que o conceito fosse “enfiado pela goela abaixo” às escolas e professores. Houve contestação ao modelo, mas de nada serviu porque a ministra manda e os professores obedecem. A irritação aumentou…

Houve a greve aos exames (de algum modo falhada), houve mais acusações de parte a parte e saiu da boca de S. Exª mais uma pedra preciosa “perdi os professores, mas ganhei os pais”. A irritação aumentou…

Vieram as negociações com os sindicatos para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Por muitas reuniões que houvesse, o M.E. limitava-se a dizer o queria e os sindicatos contrapunham, mas no final o ministério decidia manter o que disse e está dito. Em vez de negociações e cedências de parte a parte, havia uma parte que dizia para que a outra parte ouvisse. A irritação foi aumentando…

Depois veio a divisão da carreira em dois escalões. Algo que não é tradição na nossa cultura organizacional da escola, nem da natureza da profissão. Lembra mais o “antigamente”. Houve descontentamento e o concurso, ao considerar apenas os últimos sete anos e ao valorizar os cargos exercidos acentuou o descontentamento, em detrimento de muitos outros factores como a real experiência acumulada ao longo de muitos anos de trabalho e as habilitações de cada um. A irritação acumulou-se…

De seguida veio uma enxorrada de legislação, a referente à gestão das escolas (com a gracinha de excluir da presidência do Conselho Geral os professores); a da avaliação do desempenho, com toda a carga de subjectividade, de burocracia e de injustiça, para mais a meio do ano lectivo e empurrando para a “autonomia” da escola uma quantidade de coisas que tanto podem ser inócuas como muito prejudiciais e para terminar, a legislação referente ao Estatuto do Aluno. E a irritação transbordou. E os professores disseram BASTA!

Pelo meio temos as (in)verdades do M.E. Que apenas vieram reforçar a irritação dos professores.
A avaliação do desempenho é essencial e necessária para melhorar o aproveitamento dos alunos. FALSO. O desempenho dos alunos depende do professor, mas depende também de muito outros factores que não são controlados, directa ou indirectamente, pelos docentes.
Os factores de ordem familiar. Quantas famílias desestruturadas existem na sociedade portuguesa, com défice de instrução e com a enorme falta de valores que temos hoje em dia? Quantos pais não dedicam tempo aos seus filhos? Quantos pais se demitem da educação e “compram” os seus filhos? Quantos pais empurram para a escola a missão de educar e criar barreiras e limites? Quantos pais são incapazes de dizer Não aos seus filhos? Aliás se a avaliação dos professores está tão relacionada com o desempenho dos professores como explicar que na Finlândia, pais com excelentes índices de aproveitamento, não há avaliação de desempenho individual, mas apenas avaliação de escolas. Sendo que depois dentro das escolas se discute o que está mal.
Há também os factores de ordem social, A nossa sociedade é avessa ao esforço e ao respeito. Quantas pessoas tentam fugir aos impostos? Não reina na nossa sociedade o sentimento do espertalhão que passa por cima dos outros, porque é mais esperto? Quem respeita a ordem de chegada e o estacionamento correcto na via pública? Não basta estacionar o carro na estrada e ligar os quatro piscas? E se alguém nos chama a atenção ou reclama não o mandamos logo “vai pra p….”? Não tentamos sempre arranjar um amigo ou uma cunha? Não queremos que o nosso clube ganhe sempre e se isso não acontece não é sempre culpa do árbitro, esse “filho da p….”? Não chegamos sempre atrasados e não fazemos sempre tudo à última da hora?
A propósito leia-se este artigo do sociólogo José Madureira Pinto. Este texto foi primeiro visto a partir daqui.

A matança dos inocentes

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 04/03/2008

A educação em Portugal (prós e contras)

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 04/03/2008

Não gostei mesmo nada do programa Prós e Contras de ontem à noite (03/03/2008). A educação interessa a todos, mas será que todos podemos analisar os prós e contras da educação? Gosto de futebol e de uma equipa em particular, mas isso habilita-me a dar opinião sobre as técnicas de treino e de organização do meu clube? Numa perspectiva de curioso sim, mas apenas isso.

A apresentadora do programa trouxe-nos um conjunto de “pessoas sabias, famosas e com muito charme” para comentarem a educação. Até aqui ainda vai tudo mais ou menos… O verdadeiro problema surge quando a moderadora tenta fazer com que os seus convidados lhe dêem as respostas que ela quer ouvir. Várias vezes forçou a pergunta e quiz conduzir a resposta, com alguns convidados conseguiu com outros não, mas lá que tentou…

Ainda, diurante, o programa assistimos à posse de uma nova porta-voz do M.E., ao anunciar em primeira mão as notícias “fresquinhas”, enfim…

 Já agora leiam este post que partilha uma opinião semelhante.

O estado da educação II

Publicado em educação, portugal, portugueses por Zepovinho no / na 23/02/2008

As coisas estão mesmo feias. A desmotivação e a revolta surda avança, mas afinal de contas onde está o problema?

Esta senhora, no Público on-line, disse tudo:

23.02.2008 – 18h57 – Angélica Espada, Viseu
Ainda andamos aos “solavancos”, pensando que assim é que se pratica a democracia! Falsa questão! Enquanto a Escola não for exigente, rigorosa, disciplinada e os “apoios” não forem atribuidos aos alunos que gostam de aprender, poderemos ter a certeza de que, sejam quais fores as fórmulas de gestão/administração, não colheremos melhores frutos do que os que temos colhido! É que ninguém ensina o que não sabe; niguém aprende o que não quer. Depois ainda, porque o ensino obrigatório não é diferenciado. A diferenciação vocacional, deveria começar com o 3ºCiclo.

Chamada do rebanho ao redil quando algumas ovelhas se começam a tresmalhar face ao desnorte dos pastores

Publicado em educação, portugueses por Zepovinho no / na 17/02/2008

O mundo da Educação está a agitar-se.
Os ventos e tempestades que nos têm assolado começaram a agitar as águas.
É tempo do mar mostrar a sua força…

Para ler e reflectir:

http://campolavrado.blogspot.com/2008/02/os-recados-de-scrates-aos-professores.html

http://fliscorno.blogspot.com/2007/10/valter-de-lemos-ministerio-educacao.html

http://emdefesadaescolapublica.blogspot.com/

http://educar.wordpress.com/

O Estado devia ser o primeiro a respeitar os professores

Publicado em educação, políticos, portugueses por Zepovinho no / na 06/02/2008

Aquilo que se tem passado nos últimos anos é uma vergonha. A equipa ministerial trata os professores de uma forma desrespeitosa e incompreensível. Afinal de contas se há cosias que têm de ser mudadas, então têm de contar com os professores.

Neste momento impera a desmotivação, o sentimento de afronta, e a vontade de virar costas a tudo.  Que patrão poderá ter sucesso na sua empresa se estiver sempre a denegrir (em público) os seus funcionários?

Vejam o que diz o Professor Carlos Fiolhais da Universidade de Coimbra. Creio que todos aceitam que é uma pessoas sábia, perspicaz e isenta.

Quanto custa ter um filho

Publicado em educação, portugal, portugueses por Zepovinho no / na 04/02/2008

No Portugal de hoje abundam os casais sem filhos sou apenas com um único filho. Porque será? Há com certeza múltiplos factores, mas nos casais de classe média com origem citadina, estou certo que um dos factores é o financeiro. Custa muito ter um filho.

Uma notícia de hoje no Destak dá-nos conta dessas “contas”.

Destak.pt | Pais de classe média gastam em média entre 236 e 678 euros/mês com cada filho

A Educação em balanço no final de 2007

Publicado em educação, políticos, portugal, portugueses por Zepovinho no / na 01/01/2008

Encontrei este belissímo artigo sobre o balanço da educação em final de ano. Dado que apresenta uma visão muito plural do estado da educação considero-o indispensável.

O estado da Educação

Publicado em educação, políticos, portugal, portugueses por Zepovinho no / na 17/12/2007

Que a Educação no nosso país está mal ninguém duvida. O actual governo quer alterar este estado de coisas actuando ao nível da estatística. Criam-se modos de camuflar o verdadeiro problema da Educação. Medidas, aparentemente, politicamente correctas como as Novas Oportunidades contribuem para transmitir a ideia aos alunos que façam o que fizerem na escola hão de conseguir de algum modo o “sucesso escolar” que o trabalho diário não lhes dá.

Muita gente já fez o diagnóstico dos problemas e agora o Sr. Presidente da República veio dizer o óbvio (talvez o escutem).

Leia-se a notícia e vejam-se os comentários e teremos uma radiografia do que é o estado da Educação…

Rede pública perde dez mil professores em dois anos lectivos

Publicado em educação, portugal por Zepovinho no / na 02/09/2007

Nos últimos anos assistiu-se a uma inversão da tendência que vinha desde o 25 de Abril de 1974. O número de professores nos sistema público começou a baixar. Em contrapartida aumentou o número de desempregados licenciados.  É um novo paradigma que se inicia. Os professores vão envelhecendo e cada vez há mais sobrecarga de trabalho. Se por um lado diminui a verba paga em salários,  por outro, a sobrecarga de trabalho exigida aos professores que estão a leccionar vai degradar a qualidade do sistema público. Não há milagres…

Ler a notícia do DN de hoje com a notícia que dá o título a esta entrada.

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