Sócrates = Chávez

3 Setembro, 2009

Também em Portugal se silenciam órgãos de comunicação que não são favoráveis ao governo “socialista”, tal como na Venezuela do amigo Chávez. Cada vez mais somos menos um país da Europa e mais nos tornamos-nos num país da América do Sul. Socialmente aproximámos-nos do Brasil, politicamente somos mais parecidos com a Venezuela

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398953&idCanal=61

O homem das promessas

19 Julho, 2009

Há certos políticos que cometem sempre os mesmos erros. De promessas estamos todos fartos…

O líder do PS, José Sócrates disse hoje que “o dever de um líder político é fazer propostas e apresentar o seu programa, e não esconder as propostas”, numa alusão a críticas da líder do PSD sobre o anúncio de ontem do primeiro-ministro que prometeu alargar as ajudas às famílias mais pobres.
Eis alguns comentários no PUBLICO online:
19.07.2009 – 19h41 – Antero, Portugal
Ter vergonha? Um bom repto para o Socialismo engavetado. Um bom mote para a fábrica da subsidiarização galopante, decrépita, populista, eleitoralista e a termo. Trabalhai classe média, tendes de abonar ladrões, corruptores, corrompidos, vigaristas e clientelismos de toda a espécie e feitio. O Leque alarga-se e eles também… estão mais gordos. Quando vós apertais o cinto eles anafam-se a desapertá-lo. Quererá isto dizer algo? Claro que sim, o vosso esmifrar é o festim e banquete dos que vos enganam.
19.07.2009 – 19h39 – ESCORPIÃO, lisboa
19.07.2009 – 19h23 – Anónimo, Lisboa-Portugal: Com este palavreado até dá impressão que o Sócrates governou os restantes Países da EUROPA: somente pessoas com um forte ataque de demagogia, e com vontade de assaltar o poder a todo o custo, sem olhar a meios, podem ignorar o que se passa à sua volta, e não reconhecer os seus próprios erros; isso é no mínimo, sofreguidão acelerada de apanhar o tacho mesmo com todos os defeitos que disse. Não reconhecer: Casinos, recibos falsos, sobreiros, SUBMARINOS, neutralização da FEIRA POPULAR, ACÇÕES sem valor, criação de imposto IRC por conta, neutralização do crédito bonificado, aumentos do IVA, do IMI e muito mais malandrices que os Srs. fizeram para aí, a este pobre país e agora estão a por-se fora de tudo com caras de anjinho.
19.07.2009 – 19h37 – Adriano, Braga/Guimarães
A pobreza não pode ser combatida com subsídios, esta politica dos subsídios leva à ruína do país. Em vez de igualdade está a cavar mais desigualdade, a criar portugueses dependentes do subsidio, da parasitarem e a sobrecarregar com impostos e imoralidade os que trabalham, levando-os a desistir. Ninguém trabalha durante muito tempo para os outros, senhor Sócrates. É profundamente medíocre um governo que combate as desigualdades com mais subsídios. Fomentem emprego produtivo há tanta gente que quer trabalhar…O seu governo não é capaz de criar empregos nem que seja a fazerem passeios, passadeiras, limpar florestas, plantar arvores, etc.? Onde está a reflorestação das áreas ardidas? A verdadeira pobreza é a falta de atitude, de verdade, é a falta de ambição para Portugal deste PS. Humilhou os portugueses trabalhadores com o código do trabalho e com o sistema de avaliação de subserviência e agora quer continuar a humilha-los com subsídios?… Os portugueses querem trabalho e salários justos foi para isso que o elegeram… Como é possível que dois cônjuges a trabalhar, com filhos, ganhem menos do que é minimamente decente para terem uma vida razoável e sem esmolas? Este governo consider
19.07.2009 – 19h30 – Paulo Belinsky, Espinho
A desigualdade combate-se essencialmente, embora não na generalidade, com emprego, não com subsidios. A natureza da vida que as pessoas levam é determinada na maior parte pelo tipo de trabalho que fazem e para quem trabalham. Todos os estratos sociais se caracterizam em parte por suas estratégias de sobrevivência material. O trabalho de um homem é a parte mais importante da sua identidade social, do seu destino e da única vida qu ele tem para viver. Trabalha-se para viver e vive-se para trabalhar. O subsidio é apanágio dos governos fracos, que não conseguem criar trabalho nem motivar e/ou apoiar outros a fazê-lo.
O povo português não se deixará enganar, apesar das promessas…

Realidades de um governo PS preocupado som as “conquistas sociais”, conforme o Eng. tem afirmado.

O combate à corrupção “nunca esteve na agenda dos governos nas últimas décadas, porque nunca existiu vontade política”, e as recomendações do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) “são muito animadoras” disse hoje à Lusa Ana Gomes.
O relatório final do Tribunal de Contas acusa o contrato de exploração do terminal de contentores de Alcântara de só favorecer os interesses da Liscont, a empresa do grupo Mota-Engil. O documento foi aprovado esta semana chega mesmo a dizer que o acordo é ruinoso para o Estado, adianta a edição de hoje do semanário “Sol”.

A culpa é sempre dos outros

António Barreto Retrato da Semana – 20090517

Lopes da Mota é o representante ideal. Ele é o genuíno e fiel símbolo da justiça portuguesa. Omagistrado Lopes da Mota não deve sair do Eurojust. Não deve suspender o seu cargo. Nem pedir a demissão. Nem ser demitido. Se a representação de um Estado deve traduzir a verdade, ele é o homem certo no lugar certo. Não se compreenderia, por exemplo, que o representante do Estado português, em qualquer organização internacional, não soubesse falar a língua materna. Nem que o delegado de Portugal à NATO fosse um pacifista militante e um notório objector de consciência. Lopes da Mota é discutido e comentado em todos os jornais. É acusado de ter sido autor ou instrumento de pressões pessoais e políticas exercidas sobre outros magistrados. Por causa dessa acusação e após averiguações, é alvo de um processo disciplinar mandado fazer pelo procurador-geral da República. A maioria dos políticos e dos comentadores diz que se deve demitir e não reúne condições para exercer o cargo. O primeiro-ministro, que o nomeou, diz que não tem nada a ver com o caso. Este currículo, limitado a uns factos recentes de conhecimento geral, faz dele o representante ideal num organismo europeu de coordenação entre os sistemas judiciários. Ele é o genuíno e fiel símbolo da justiça portuguesa. Ajustiça portuguesa é cara, lenta e burocrática. Está geralmente mais interessada no processo do que no apuramento da verdade dos factos e na prova. Os magistrados não são avaliados por entidade independente. Os sindicatos de magistrados são máquinas de poder político e corporativo a que o Estado democrático não soube opor-se. Os conselhos superiores servem os interesses das corporações e impedem que a voz dos cidadãos tenha alguma força e que a legitimidade democrática tenha eficácia na sua organização. A justiça portuguesa é um condomínio fechado, hermético e impermeável ao interesse público e às ansiedades dos cidadãos. A circulação entre conselhos superiores, sindicatos e tribunais superiores, passando, por vezes, por cargos políticos, consagra o poder de uma casta impune e inamovível. Muitos agentes da justiça, juízes, procuradores, polícias e advogados participam, sem contenção nem reserva, nos debates públicos, têm presença garantida nas televisões, nas rádios e nas capas dos jornais. Alguns orgulham-se dos seus sindicatos, entidades híbridas e absurdas dedicadas a organizar duas classes profissionais, a dar-lhes peso e força política e a preservar privilégios. Dirigem-se à opinião pública com ilimitada arrogância, evocando a sua independência, que consideram autogestão e soberania. As técnicas de investigação são toscas e, por vezes, atentatórias dos direitos dos cidadãos. Questões de família são adiadas anos, por vezes até à morte de um dos interessados. Conflitos comerciais não têm resolução, a não ser pelo desaparecimento das respectivas pessoas ou empresas. Por causa do processo e do atraso, as compensações obtidas pelas vítimas ficam aquém dos prejuízos causados. Crimes de corrupção, apesar de provados, são desculpados. Os procuradores têm poder a mais e não têm qualquer reserva na sua intervenção política, nem no modo como querem condicionar juízes, advogados e políticos. As fugas de informação e as famigeradas quebras de segredo e sigilo de justiça, geralmente dirigidas e deliberadas, são o mais impressionante retrato do estado a que a justiça portuguesa chegou. A reputação da justiça portuguesa no estrangeiro é medíocre e risível. A opinião pública portuguesa considera os magistrados e a justiça como um dos sectores da vida pública que menos merecem respeito e confiança. A justiça portuguesa cria, não resolve problemas. Aculpa é um fenómeno errático e fugidio. A sua trajectória é circular. Juiz, procurador, oficial de justiça, advogado, solicitador, polícia, ministro e deputado: cada um tem a certeza do seu comportamento exemplar e não hesita em culpar o vizinho ou todos eles. Para o juiz, a culpa do estado em que se encontra a justiça portuguesa é, sem dúvida, dos agentes do Ministério Público, dos advogados e dos políticos incompetentes. Já o procurador se queixa do Governo, da falta de meios que este lhe concede, dos deputados que fazem más leis, dos juízes que se julgam infalíveis, dos advogados que não cessam de criar problemas e das polícias que estão às ordens do Governo. Os advogados não têm dúvidas e apontam o dedo aos deputados, aos magistrados e aos procuradores, sem esquecer as polícias. O ministro, por sua vez, invoca a independência dos juízes para justificar o seu absentismo, ao mesmo tempo que se queixa das polícias, dos advogados e da verdadeira máquina de poder que é a Procuradoria-Geral. Os polícias consideram os juízes brandos, os deputados inúteis, o Governo oportunista e os advogados obstáculos à justiça. Em comum, os corpos judiciais e outros “operadores” condenam os cidadãos impacientes, os comentadores e os jornalistas. Também em comum, o seu desinteresse pela causa pública e pela reforma deste estado de coisas. Há centenas de magistrados, procuradores, polícias e advogados que cumprem os seus deveres, que se esforçam por ser bons profissionais, que trabalham mais horas do que deles se esperaria, que resolvem casos a tempo, que dirimem conflitos, que nunca são fonte e origem de problemas e que resistem à volúpia do protagonismo televisivo e jornalístico. Mas essa não é a percepção que os cidadãos têm da justiça. Essa não é a marca da justiça portuguesa. Algumas características do sistema e o comportamento de uns punhados de “operadores” fazem da justiça o pior da sociedade, quando deveria ser o melhor. A justiça portuguesa sofre, no seu conjunto, da má reputação que alguns dos seus dirigentes ou responsáveis têm na opinião pública. É atingida pela incompetência dos deputados e pelo medo dos governantes. Colhe as consequências das políticas públicas. Tem a má fama causada pela rede de cumplicidades tecida há muito entre políticos e magistrados e fielmente traduzida na génese e na actividade dos sindicatos de magistrados. A justiça deveria ser a última instância de confiança. Deveria ser o exemplo. Em vez disso, é um caso. Um problema. O mais grave problema português.

Sociólogo

Artigo publicado no jornal PUBLICO de hoje.

Vital Moreira

3 Maio, 2009

Porque razão o PS levou Vital Moreira às comemorações do 1º de Maio da CGTP? Esta é a pergunta que importa fazer. Será que VM é um especialista em trabalho, ou em trabalhadores?

Penso que não. O partido do sócrates é especialista em propaganda, isso é inegável. Ao enviar VM estavam à espera de alguma reacção adversa para poder capitalizar com essa mesma reacção.

Segundo o jornal Publico:

Apesar de lamentar este tipo de actos, Freire entende que a escolha de Vital para chefiar a delegação do PS no 1.º de Maio “cheira a oportunismo” e tem contornos de “sessão de campanha”.

“O Governo convive mal com os sindicatos, critica a CGTP, e Vital Moreira tem secundado o Governo nestas críticas. É estranho que o PS tenha enviado um candidato altamente colado ao Governo para uma manifestação da CGTP, como se fosse um agent provocateur”, diz, lembrando ainda que, até Novembro de 2007, o Executivo socialista instaurou processos crime contra mais de duas dezenas de dirigentes da Intersindical.

Concordo inteiramente. Há até um pequeno pormenor que me parece elucidativo. Nas imagens vê-se que VM e os seus acompanhantes do PS estão sorridentes e descontraídos. Não me parecem muito preocupados e constrangidos, mas até satisfeitos como o efeito provocado.

Exigindo um pedido de desculpas aos comunistas, o primeiro-ministro converteu a agressão a Vital numa acção de “ódio ao PS”: “O que aconteceu foi um incidente absolutamente lamentável de sectarismo baseado num ódio ao PS.” Para Meirinho esta “estratégia” de alargar as repercussões do caso não é estranha às tácticas dos partidos do poder: “Há sempre uma tentativa de aproveitarem estes factos para reforçarem as suas estratégias.” Neste âmbito, as agressões a Vital tem diferentes tipos de efeitos, conforme os actos eleitorais: “Nas eleições europeias os efeitos são muito fracos ou nulos”, nota, “mas nas legislativas podem ser significativos.”

Meirinho acredita que Vital “não fará um aproveitamento” do incidente. Mas não pensa o mesmo relativamente ao PS. “É evidente que tentará tirar dividendos. Estes factos serão sempre enquadrados na táctica política para as legislativas”, diz. No contexto das consequências a médio prazo, Pedro Lomba teme por uma “instabilidade crónica” resultante do reforço dos votos nos partidos da esquerda. Sustentando que a agressão foi uma demonstração dos “ódios” entre as esquerdas, Lomba prevê um cenário futuro de inconstância.

Não posso concordar com agressões, quaisquer que elas sejam, mas não também não nasci ontem. Houve apupos e algumas agressões, mas creio que tudo foi planeado para assim acontecer. Lamento esta forma de fazer política, quer por parte do PS quer por parte dos apoiantes da CGTP.

É claro que com toda esta “cena” ninguém falou das reivindicações dos trabalhadores.   Seria de esperar que neste 1º  de Maio houvesse muitas reivindicações e críticas a9o governo, e ao PS, mas com esta encenação o que se viu? As televisões e rádios falaram apenas do Vital Moreira e o próprio primeiro ministro aproveitou para entreter os media com o pedido de desculpas que o PCP devia pedir ao PS.  Mas, como é óbvio, todos sabemos, que o PCP nunca iria pedir desculpas ao PS.

Agora, uma coisa parece notória, as pessoas, e os trabalhadores em particular, estão a ficar fartas do PS e das suas manobras e arrogâncias. É bom que eles percebam isso. Aliás veja-se o que aconteceu ao PM em Melgaço – foi apupado. Ora o Minho interior não é um lugar habitual para os comunistas, pelo que se conclui que o povo está farto destes políticos.

Veja-se a propósito estes blogs:

- Do Portugal Profundo

- José Maria Martins

Hoje, infelizmente, sentimos saudade da alegria e da utopia que foram os primeiros dias do 25 de Abril de 1974. Muitas das promessas, e ilusões, desses dias ainda estão por cumprir. Com o actual governo do PS estamos a regredir em vários aspectos sociais e democráticos. A corrupção e os interesses do capital estão de volta. Há cada vez mais desemprego e descontentamento social, mas para alguns há dinheiro com fartura. Alguns elementos da chamada “classe política” estão bem instalados no aparelho do Estado ou nas grandes empresas. Há uma democracia, quanto mais não seja do ponto de vista formal. Mas há cada vez mais medo dos patrões, do desemprego, de desagradar aos chefes, de perder o emprego. Vivemos muita da insegurança que se vivia em 1974. Não há guerra colonial, é certo. Não há polícia política, não há censura. Mas há uma pressão para não levantar a cabeça, há processos crime aos jornalistas que ousam escrever coisas que o Sr. Engenheiro não gosta. Há uma constante pressão sobre os funcionários públicos, uma desvalorização das suas funções. A escola pública está subjugada pela política da estatística e da burocracia. E, finalmente, a classe média está a perder a capacidade de respirar, pressionada que está com a crise económica. Afinal de contas é esta mesma classe média que tudo paga neste país e pouco recebe em troca.

Para homenagear o 25 de Abril veja-se este filme em que a Amália Rodrigues canta a “Grândola Vila Morena”.

O hino da oposição

15 Abril, 2009

Música dos Xutos e Pontapés está a tornar-se um hino de oposição à prática governativa do PS.

http://www.videos.iol.pt/consola.php?projecto=27&pagina_actual=1&mul_id=13128723&tipo_conteudo=1&tipo=2&referer=1

Veja aqui mais aspectos, no jornal PUBLICO:

A letra do tema Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar…

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar…

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

- http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1374305

- http://static.publico.clix.pt/docs/politica/xutos.mp3

2009 2009-04-13 “Estava um dia frio e límpido de Abril e os relógios batiam treze badaladas” e eu dei comigo a pensar: ‘Se calhar o melhor é passar um pano encharcado em creolina sobre isto tudo e deixarmo-nos de coisas porque a melhor política é o trabalho e qualquer dia… toca-me a mim’. Do Ministério do Amor já tinham vindo sérias admoestações. Recordam-se do zelador da justiça que, questionado por um jornalista mais impertinente sobre se o “Grande Irmão” poderia ser constituído arguido, respondeu: “Olhe, até você pode ser constituído arguido”? E não é que foi mesmo! Só na última semana foram uns três! Tudo isto para que não haja dúvidas que na “Oceânia”, como foi dito, “não é qualquer director de Jornal com as suas campanhas” ou “uma qualquer televisão quem governa”. Quem governa na Oceânia é “quem o povo escolhe”. Por isso, estes três (e brevemente serão mais) obviamente foram entregues ao Ministério do Amor (um deles já foi ouvido) e agora vão de certeza parar à Sala 101 onde “confrontarão os seus piores receios” até aprenderem a amar sem reservas quem tanto bem lhes faz e a quem tanto devem. Tem que haver uma punição exemplar por esta ingratidão dos que não reconhecem o imenso trabalho que tem sido feito pelo Ministério da Abundância na “distribuição de rações”. Como é que os amigos não os denunciaram (como foi feito, e bem na DREN)! Então o Ministério da Verdade não tinha já decidido dar mais um ano de completo bico-calado sobre tudo! E eles (e elas) a pisar cada vez mais o risco contando coisas! Falam de pressões sobre o próprio Ministério da Verdade! Subornos no Ministério da Abundância e, sacrilégio ultrajante, sugerem que há corrupção a alto nível! Qual nível? Ao nível do topo do “Partido Interno”! Como é que se pode dizer uma coisa destas e esperar fazê-lo com impunidade, aqui na Oceânia onde a Abundância é inigualável, e a paz e a justiça nas ruas é garantida por dez mil novos disparadores Glock-19 de 9mm! O Ministério da Verdade já exortou à serenidade com um brilhante anúncio na Rádio e na TV informando que as manifestações de rua são “contra” os cidadãos. E eles não quiseram acreditar! E mesmo no Período do Grande Silêncio decretado pelo Ministério da Verdade divulgaram coisas como se quem mandasse na Oceânia fosse um “qualquer Director de Jornal com as suas campanhas” ou “uma qualquer televisão”, quando todos sabemos que quem manda é “quem o povo escolhe”. Por isso vamos passar a esfregona bem encharcada em creolina sobre tudo isto e, com o Grande Silêncio garantido pelo Ministério da Verdade, com os desviantes na “Sala 101″ a aprenderem a estar calados quando os mandam, o povo sereno votará e escolherá quem quer que continue a mandar na Oceânia. As listas para o “Partido Interno” já estão quase prontas. Depois vêm as do “Partido Externo”. Nessas, os descontentes ao verem como ficam os jornalistas que o Ministério da Verdade vai levar à Sala 101, aceitarão de vez o Grande Silêncio e terá “chegado o grande momento. Salvar-nos-emos, seremos perfeitos.” PS: As frases entre aspas, mais inspiradas, são do 1984 de George Orwell. As menos inspiradas são de 2009. Quanto ao mais, como Marx diz no Capital, “muda-lhes os nomes e esta é a tua história”.

Mário Crespo – Opiniões – Jornal de Notícias

É acrise? Post 3

15 Abril, 2009

Dois retratos do Portugal de hoje.

Tenho muita pena que passados todos estes anos sobre o 25 de Abril de 1974 em que tantas ilusões nos foram incutidas estejamos a viver e a discutir estas questões.

- A corrupção

- As obras públicas

Amordaçar

20 Março, 2009

A democracia é uma coisa muito bonita, mas ás vezes, é incómoda para quem exerce o poder pelo que há que cercear o direito a cada um se pronunciar. Umas vezes é feito às claras, outras vezes usam-se técnicas mais subliminares. O último anúncio da Antena 1 é um bom exemplo. Aparece uma imagem de uma manifestação e vê-se uma pessoa (sozinha) num carro. Ouve-se a voz da emissora a informar que existe uma manifestação e o condutor pergunta contra quem é essa manifestação. Ao que a voz da emissora responde “É contra si. É contra quem quer chegar a tempo”.

Mas que maravilha de anúncio. Mais grave ainda se nos lembramos que é da emissora estatal. Para não atrapalhar quem quer chegar a tempo o melhor mesmo é que não haja nenhuma manifestação. Assim tudo seria perfeito. Viva a democracia.

Fonte da informação – Jornal PUBLICO

Mais notícias no PUBLICO

Novo anúncio da Antena 1 é ataque ao sindicalismo, diz CGTP

20.03.2009, Maria Lopes

Intersindical apresenta queixa contra spot da rádio pública a criticar manifestações. Carvalho da Silva fala em “atitude de subserviência” ao Governo

A A RTP está a emitir um spot publicitário de promoção à informação da rádio Antena 1 que contém críticas negativas sobre as manifestações. O anúncio vai motivar uma queixa formal da CGTP ao Conselho de Opinião da RTP, estando a central sindical a analisar também levar o caso a outras entidades de regulação.
O anúncio de meio minuto mostra carros parados e, num deles, com o rádio ligado na Antena 1, a jornalista Eduarda Maio – uma das principais vozes da rádio pública e autora do livro Sócrates: O Menino de Ouro do PS, a biografia autorizada do primeiro-ministro lançada em 2008 – diz ao condutor que há ali uma manifestação. Quando este lhe pergunta contra quem é o protesto, Maio responde-
-lhe que é contra ele e “contra quem quer chegar a horas”.
“Isto não é apenas uma crítica velada; é um ataque expresso ao sindicalismo”, acusa o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, dizendo ainda acreditar que só “por pura coincidência a voz off do anúncio é a da autora do livro de valorização do primeiro-ministro”. Eduarda Maio já foi protagonista da anterior campanha da Antena 1, em que se sentava ao lado dos ouvintes para simbolizar a proximidade da estação com o auditório.
Carvalho da Silva lembra que o direito de manifestação é um direito constitucional. “A concepção individualista apresentada no spot não configura a missão de serviço público a que a rádio pública está adstrita, antes parece reflectir uma atitude de subserviência a posições de incómodo manifestadas pelo Governo relativamente à contestação das suas políticas.”
Já João Proença, secretário-geral da UGT, ainda não viu o anúncio mas critica os termos empregues: “Nesses termos o anúncio é infeliz e põe em causa um direito fundamental que é o direito de manifestação”, disse ao PÚBLICO. Até ontem à noite não fora feita qualquer queixa junto dos provedores da rádio e TV públicas.
Nos últimos dias, CGTP e Governo trocaram recados sobre a manifestação que, na última sexta-feira, juntou 200 mil pessoas em Lisboa contra as políticas económicas e sociais do Governo. O número não impressionou José Sócrates, que lamentou que “manifestantes e dirigentes tivessem enveredado pelo insulto”.